Tenho visto e ouvido ao longo dos dias, muitas reportagens acerca da tragédia que se abateu e diluiu como se fossem torrões de açúcar, e talvez até pudessem assim ser, tão grande era sua doçura e encantamento, as cidades nos vales da serra do mar no Rio de Janeiro.
Poderia ir aos números, às fotos, aos dados, às tragédias particulares de centenas de milhares de vítimas do clima, do relevo acidentado, da ocupação indevida, enfim, vários ângulos poderiam aqui ser precisados, apontados como sendo agentes diretos de tudo isso que temos visto, a abalar nosso início de ano, mais um que se inicia sob o choque inerente ao nosso despreparo.
É disto que falo: Do despreparo. Duas frases me chamaram atenção na mídia durante as mais diversas coberturas jornalísticas das quais me referi logo acima. Numa delas, Fernando Mitre da Band comparava as nossas, com as tragédias de outros países. Aqui, segundo o jornalista, não temos terremotos, furacões (pelo menos não como os que atingem os países da América Central) tsunamis como na Oceania, vulcões, enfim. Mesmo assim não sabemos ainda, lidar com nossa tragédia mais recorrente.
Outra das perguntas que me deixaram com um nó na garganta e com lágrimas nos olhos diante da cobertura jornalística da catástrofe na região serrana do Rio, foi feita por Paulo Henrique Amorin da rede Record, a uma professora, pesquisadora da serra, de seu clima e relevo, há pelo menos trinta anos. No meio da conversa que tinha como pano de fundo o cenário catastrófico, a objetividade do jornalista: “Quantas vidas seus estudos sobre esse lugar, ajudou a salvar professora?
A resposta da professora/pesquisadora: “Essa resposta ainda esta engavetada, junto com minhas pesquisas e projetos… . Ou seja, estamos ainda aquém da otimização de estudos que possivelmente nos tirariam, ou ao menos nos afastariam do lamaçal pra aonde nossa mais iminente tragédia nos empurra ano após ano.